Demissão silenciosa: Entenda o termo e como as leis trabalhistas enxergam o movimento

Conhecido também como “quiet quitting”, que traduzido para o português brasileiro significa “demissão silenciosa”, é uma das discussões que, atualmente, está presente na grande maioria dos posts nas redes sociais. 

Estamos falando aqui de uma discussão que está relacionada às questões trabalhistas, que como sabemos, envolve várias pautas. 

Você pode estar se perguntando: “mas qual o objetivo dessa discussão?” É simples, a demissão silenciosa sugere que as pessoas façam o mínimo do que é desejado, para que elas continuem empregadas, sem a necessidade de se esforçar mais do que precisam.

Em outras palavras, isso significa que o termo vai ao contrário daquele discurso que “os trabalhadores devem dar o seu máximo à empresa, superando suas limitações”. 

Nesse sentido, se você trabalhar em uma empresa focada em vender painel de comando industrial, por exemplo, é interessante que você avalie todos os aspectos que fazem parte da característica da companhia. 

São justamente estes aspectos que irão te falar se você está, ou não, satisfeito com o atual cargo exercido. 

Podemos dizer que a demissão silenciosa é um movimento, na qual chama a atenção por estar relacionada a um aspecto bem comum, que é quando os colaboradores não ganham uma recompensa ao mesmo nível dos seus esforços. 

Na verdade, todo o esforço que foi feito, e a lucratividade por aquilo, fica para os bolsos dos contratantes. 

Entretanto, da mesma maneira que existem empresas que não dão valor para os seus colaboradores, também existem empresas de serviço de torno mecânico, por exemplo, que sabem valorizar o trabalho que é desempenhado pelos seus funcionários. 

Portanto, a sugestão por trás desta discussão é que os adeptos ao movimento, façam apenas o que foi combinado. 

Ou seja, fazer somente suas funções, não trabalhar no final de semana, não se oferecer para tarefas extras não-remuneradas e sair, sempre, no horário combinado. 

Esse tipo de atitude, no geral, pode ser aplicada em qualquer tipo de trabalho, isso significa que, se você trabalha numa loja de exaustor de cozinha industrial, ou qualquer outro tipo de negócio, há sim, o direito de cumprir apenas aquilo que foi combinado no contrato. 

A demissão silenciosa e seus movimentos 

Quando o assunto é demissão silenciosa, é interessante dizer que este movimento também está ligado a outras discussões que fazem parte do contexto trabalhista na maioria dos países, como a redução da carga horária, promovendo menos dias por semana. 

Para exemplificar melhor esse cenário, vamos usar os Estados Unidos, onde existe um movimento chamado de “grande renúncia”, que envolve vários jovens que compartilham suas demissões nas redes sociais, em trabalhos em que há grande exploração. 

No TikTok, por exemplo, existe a hashtag #quietquitting, que com o tempo viralizou e ajudou a espalhar a ideia pelo mundo. 

Pessoas que estavam em empregos exploradores, viram o movimento como uma espécie de dimetilformamida, capaz de dissolver toda aquela sensação ruim que era promovida pelo antigo cargo ocupado. 

Um dos primeiros vídeos que surgiu utilizando esta hashtag, foi de um engenheiro de 24 anos chamado de Zaid Khan, que explicou como seria a proposta da demissão silenciosa. 

No vídeo, Khan explica para os seus seguidores que, ao adotar o movimento, eles não estão abandonando seus empregos, mas sim, abandonando a ideia de ir além do trabalho. 

Portanto, o movimento da demissão silenciosa coloca foco na ideia que o mercado de trabalho pode ser pensado de várias formas diferentes, avaliando, por exemplo, as necessidades dos próprios funcionários, tipo de coisa que, sabemos, nem sempre acontece. 

Por qual motivo estamos insatisfeitos com o trabalho?

De acordo com os dados levantados pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em média 2,9 milhões de trabalhadores brasileiros solicitaram demissão apenas no primeiro semestre de 2022. Estamos falando do maior índice desde 2005. 

Considerando também que estamos vivendo um período economicamente delicado no país, devemos avaliar que esta informação seja um indicativo de que muitas pessoas estão insatisfeitas com o atual cargo exercido, e suas condições trabalhistas. 

Além disso, também temos um aumento nos casos de burnout, que também é outro indicativo de que muitas pessoas estão sofrendo com o excesso de trabalho em suas vidas. As consequências disso não poderiam ser outras, causando sérios problemas na saúde do trabalhador. 

Nesse contexto, existe uma série de fatores que podem fazer com que o trabalhador tenha um certo desgosto com o seu próprio trabalho. 

Por esse e outros motivos que o movimento da demissão silenciosa, funciona como um bastão de salvamento, libertando as pessoas de um trabalho explorador. 

Além da sensação de ganhar pouco, comparado às atividades do dia a dia no trabalho, há também a impressão de não ser valorizado pela empresa, ficando estagnado naquele mesmo cargo ocupado. 

Sabemos que, com a pandemia de COVID-19, houve um grande aumento de trabalhos remotos, onde muitas pessoas puderam identificar a invasão do trabalho em suas vidas particulares. 

Para as pessoas que já estavam trabalhando na modalidade home office, fazer o equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal, tornou-se um grande desafio. 

Quando o trabalho começa a prejudicar a saúde?

Antes de tudo, você precisa ter em mente que o movimento da demissão silenciosa, não indica que as pessoas saem dos seus trabalhos. Na verdade, trata-se de um conceito, onde os trabalhadores devem repensar a relação que possuem nos seus respectivos cargos. 

Contudo, antes de decidir fazer o seu mínimo esforço possível no trabalho, é interessante fazer uma auto análise sincera sobre os seus sentimentos em relação à sua ocupação. 

Ou seja, se você trabalha em uma empresa especializada em vender bico aspersor de água, por exemplo, avalie os aspectos gerais para torná-los como uma base para a sua decisão. 

Para que você possa fazer esse tipo de análise, listamos algumas dicas e perguntas que irão te ajudar a desenvolver esta reflexão. Confira:

Seu plano de carreira

Inicialmente, você precisa pensar sobre qual a ideia de carreira que mais combina com o seu futuro. 

Logo, faça a seguinte pergunta: o seu trabalho está te ajudando a alcançar o seu objetivo profissional? As suas funções estão adequadas ao que você busca? A insatisfação que você sente, já existia nos outros cargos que você ocupou?

Posicione-se

A sugestão do movimento em questão, é permanecer quieto e fazer o mínimo possível no trabalho. Contudo, esta nem sempre será a melhor decisão a ser tomada, se o seu objetivo é encontrar prazer no que faz. 

Portanto, se você está insatisfeito, vale a pena considerar a ideia de conversar com o seu chefe. 

Essa atitude é válida para qualquer tipo de profissão, ou seja, se você atua como ajudante geral, ou realiza limpeza em altura, é completamente válido conversar com o seu superior sobre o seu futuro. 

Eventualmente você irá se deparar com aberturas para realizar essa conversa, e para isso, é importante que você tenha argumentos sobre as coisas que estão te incomodando. 

Além disso, a conversa também servirá para obter um feedback e sentir se você está em sintonia com os objetivos da empresa. Caso o contrário, você pode promover um processo semelhante ao que ocorre com um oxicorte, realizando a sua separação de vínculo com a empresa. 

Crie seus limites

Em algumas profissões, é natural que o trabalho solicite que você se envolva com as questões do serviço fora dos seus horários profissionais, como atender chamadas ou responder alguns e-mails. 

Se houver a possibilidade, é interessante estabelecer seus limites de até onde o trabalho pode interferir na sua vida pessoal, mesmo que os seus colegas não façam o mesmo. Se você se deparar com uma abertura, não desperdice o momento, e converse com o seu superior. 

Procure por um apoio

Dependendo do nível da sua insatisfação, ou incômodo com o seu atual trabalho, considere a ideia de contar com uma ajuda para lidar com isso tudo. Isso envolve, também, a procura por ajuda terapêutica. 

Por meio dessa ajuda, você ficará mais esclarecido se a sua insatisfação tem a ver com a sua situação atual, ou que ela possa estar ligada a algo mais profundo. 

Conclusão

Diante de tantos fatores que podem desmotivar um trabalhador, é notável o quanto o departamento de RH possui um papel de importância dentro desse contexto. Isso porque, justamente esse setor, tem o poder de motivar seus colaboradores, por meio de ações como:

  • Criar recompensas ao nível do trabalho desempenhado;
  • Disponibilizar aberturas para que os trabalhadores possam dar sua opinião;
  • Estimular a troca de conhecimento na equipe;
  • Flexibilizar os horários;
  • Realizar confraternizações;

Ou seja, são ações que podem influenciar diretamente o nível de satisfação do colaborador, fazendo com que ele crie um gosto maior do seu atual cargo. Portanto, é importante avaliar todos os aspectos do seu emprego, antes de tomar qualquer tipo de decisão. 

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do blog Guia de Investimento, onde você pode encontrar centenas de conteúdos informativos sobre diversos segmentos.

Por gentileza, se deseja alterar o arquivo do rodapé,
entre em contato com o suporte.